sexta-feira, 21 de junho de 2013

Melhora da Morte



"Ontem à noite, eu conheci uma guria, que eu já conhecia
De outros carnavais, com outras fantasias
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão" 
(Piano Bar, Engenheiros do Hawaii) 



Acordou adoentado,
Com sintomas que já lhe eram familiar.
Para ser bem franca,
Vivia mais na moléstia do que são.
Da última vez em que o viram,
Carregava um sorriso animador.
“É a melhora da morte”
Alertava os amigos à família.
De súbito,
Já se viu sem chão, sem dor, sem alma.
Os curiosos em seu enterro indagavam a causa.
Os que lhe tinham apreço,
De imediato respondiam:
- Morreu como morrem os poetas: de solidão. 

sábado, 11 de maio de 2013

Breu



Quando deveras se fez breu na noite,
Sob a luz fraca da vela que alumiava minha pele despida,
Desenhei teu corpo no meu e percorri
Teus pêlos que me espinhavam.
À galopes, me contorci. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Trago

O beijo, Gustav Klimt



Teu trago
Travou em minha boca
E não há saliva,
Vinho em demasia,
Amargor de outro corpo
Que me alveje de ti.

domingo, 7 de abril de 2013

Tato


Que não seja...
Pois te digo agora:
Que não seja amor,
                    Afeição
Ou obsessão de uma noite qualquer.
Que não seja ato o que me dizes tão profundamente
Em teus versos improvisados.
Que não seja tato,
Que não seja coito,
Que não seja nada.

sábado, 30 de março de 2013

Vestes



O aceito como minhas vestes -
Cobrindo ou despindo minhas vergonhas.
                                               
O aceito como se fosse minha própria carne;
                                   Meu sangue;
                                   Meu ego em demasia.

Aceito tão somente porque és meu ser habitando outra pele,
E me completas quando em suma,
Penetra minhas lacunas.