sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Contento


Da Noite –
Se não última,
Aparente
Me ficou o ruído
O adeus
           Não dito. 

A promessa desfeita,
O silêncio em conflito
Com teu sorriso, 
Meu palpitar,
O soluço reprimido.

Teu afago
       em despedida,
Meu corpo
       em desalento,
Teu gosto
         que desfazia.
   
Teu fogo 
Eu sua lenha
Em combustão –
       Contento
Em meus fluídos,
Abrasou-se.


 Rayane Medeiros

sábado, 3 de setembro de 2011

Aqui jaz Um Conto


Então o conto desfez-se em pó
E agora jaz, irônico,
Procurando em outros laços
Teu ego perdido em meu prazer.

Já não há o sussurro confessado,
O gozo sutil dos que fogem à surdina...
Não há o receito,
O teu pêlo arranhando meu peito,
O amor que me corrompe
Sem consentimento,
Não há sequer o medo.

Agora há o vazio,
As mãos frias que se agitam
Eufóricas e
Unem-se recíprocas,
Como n’um consolo
Procurando aquelas que jazem entre as suas.

Há agora senão os destroços
Indesejáveis no meio do caminho
De um conto repentino
Que nos despiu
Nos consumiu
E saciado se desfez.


Rayane Medeiros

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Filhote de Leão Destemido


A meu grande amigo, meu irmão de coração Leonel Ritchie,
meu companheiro  de todas as horas.
És humor
Amor
Segredo
Vento fresco no
    Cabelo.

És o riso
Fogo
Grito
Um olhar
Subversivo.

És amigo
Irmão
Abrigo
Minha melhor
Proteção.

És ousadia
Leão
Monarquia
Misto de bondade e
Perversão.


Rayane Medeiros

sábado, 27 de agosto de 2011

Insaciável


As paixões gastam-me as horas,
Estilhaçam-me o peito,
O romantismo,
O medo adormecido.
Não me entrego,
Não me dou por vencido!

Em todas me desfaço,
Retalho-me...
E volto – insaciável –
Com meu copo meio cheio,
Pronto para ser tragado...


Rayane Medeiros

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Migalhas

"Cansado
E, sobretuto,
Da não presença tua,
É-me permitido lembrar,
Embrenhar-me nas fendas
Dos dias claros..."  
(Elegia II, Mário Gerson)

A tua lembrança é a substituta
Para as migalhas tuas –
Que nada me preenchem,
Sequer aquecem a alma.

Substituta para a ausência tua,
Que surpreende quando teu gosto já me é um desgosto,
E me devora o recuo dos dias primeiros.

A tua lembrança é a substituta
Para teu amor pagão
Que se perde em meu precipício
E se desfaz sem compaixão...

Substituta para teu corpo abrigo,
Teu sussurro ao pé do ouvido,
A tua presença sempre infiel comigo;
Substituta para a noite e o vinho –
Para teu frenesi que me aguarda
E em meus segredos deságua.



Rayane Medeiros