domingo, 24 de fevereiro de 2013

Metáforas


Ao poeta Manoel Cavalcante


Ora, poeta!
Não se engane com meus versos sujos!
São descargas dos amores vadios
que me despiram do romantismo.
Esquarteje as metáforas imundas e encontrarás senão,
o sentimentalismo enfronhado nos braços de Morfeu. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Permissível


Acossado (À bout de souffle), de Jean-Luc Godard - 1959

Traçava o dia
em que naqueles pêlos estrangeiros
Pudesse subverter-se em desaforos,
                                     Euforia,
                                     Profanação.
Sussurraria-lhe verbos inconfessáveis;
Beijaria-lhe desde o permissível
à imensidão de tuas prisões.
Ela lhe submeteria à maior de todas as perversões
E improvisaria as juras mais sinceras. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Lembranças



Hoje resolvi jogar lembranças fora.
Sobretudo, dos amores que nunca foram meus.

Deles ficaram o amargor do cigarro impregnado no algodão;
A pele arranhada dos pêlos;
O hálito ébrio e o perfume embrenhado em minhas entranhas.

Dos amores que nunca foram meus,
Ficou a vontade de ter ouvido promessas impossíveis;
Uma amargura para cada lençol onde deixei minhas vergonhas.

Das lembranças que hoje sepulto,
Vai um pedaço de mim em cada uma delas,
E que agora confesso: nunca quis vivê-las.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Era pra ser um poema




Sabem aquela história de “o melhor chega de repente”?
Acho que ele é esse estranho que bateu à minha porta,
Entrou sem cerimônia,
E agora está na sala tomando do meu café
Que preparei sem pressa e sem açúcar. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Linha do Horizonte

Ao meu grande amigo, o irmão que a vida me deu, Junior Ramone. Que está comigo sempre e quando mais preciso. Que me faz feliz só de em vê-lo. E bem mais forte. Obrigada por  permanecer em minha vida. TE AMO!  



Amizade é reconhecer-se no outro.
É quando o silêncio fala o que se quer ouvir;
Quando o abraço é o melhor conselho.
É o vinho nos aquecendo em dias frios...

Como a passividade da linha do horizonte,
O vento fiel ao seu percurso,
A pontualidade da lua para com suas fases;
És o ponto de equilíbrio dos loucos que atropelam seus caminhos
à procura de um Norte;
O chão firme que recebe piedoso,
os desvairados que nele se atiram para por fim às suas dores.

Nasceste livre. E é desta fibra, senão que vive, faz os teus amigos e os alimenta,
Como o sangue que pulsa no coração inquietante.

Que seja livre, meu amigo.
Que seja sempre livre!
Fazendo-nos bichos do mato,
Caçando a vida para que ela não nos devore!