domingo, 9 de setembro de 2012

Lapsos





Nem imaginava,
Mas aquele seria apenas mais um em
sua vida...

Mais um a comer da tua comida,
Sentir teu hálito de hortelã de manhã
bem cedo,
Trocar saliva e dizer adeus entre risos...

Mais um em sua cama
A deixar nos lençóis dormidos, 
O amargor do perfume amadeirado;
O suor do amor vadio...

Nem imaginava,
Mas aquele seria apenas mais um que lhe arrancaria versos;
Mais um nas entrelinhas, entre linhas confidenciais,
Entre lapsos de solidão...

Em Contagem regressiva – Inédidos e dispersos





Acreditei que se amasse de novo
Esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei.
Num delírio de arquivística,
organizei a memória em alfabetos,
como quem conta carneiros e amansa.
No entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos.

sábado, 25 de agosto de 2012

Trapos


Sem mais trapos de amores vadios.
Ande lá com tua vida já partilhada,
Que, cá fico eu,
Sucumbindo à vontade de sentir teus pêlos,
Instigando minhas entranhas.


Rayane Medeiros

sábado, 28 de julho de 2012

Colo Abrigo


A Júlio Romão, meu irmão por afeto, e a quem lhe devo minha eterna gratidão, pelo colo sempre disponível para eu afogar minhas mágoas.






Da vida que vez e outra nos surpreende,
A gente esbarra em outra vida que nos transborda
E faz dos versos nunca escritos,
Afeto indizível,
Laço indestrutível...

Da vida que vez e outra nos fascina,
A gente se reconhece em outro corpo,
Conforta-se num abraço,
Acrescenta-se num sorriso,
Faz dos defeitos, elo intransponível.

Da vida que vez e outra nos presenteia,
A gente faz de um amigo a nossa fortaleza,
Cúmplice errante,
Parceiro de bar, de vida;
A alma que não desgruda do corpo.

Da vida que vez e outra estanca,
São os amigos as engrenagens que a impulsionam;
Que nos movimentam,
Que nos deixa ser, nessa vida que não deixa...


Rayane Medeiros

domingo, 8 de julho de 2012

O Bem Que Te Quero



Não é amor não,
Mas é um bem que te quero mais -
Mais perto todo dia!
E outro dia quem sabe,
O teu desejo o traga novamente pros meus braços.
Mas se teu querer for apenas doses de luxúria,
Sossega-me e vá-se de uma vez,
Deixa eu cá, fantasiando alegrias...


Rayane Medeiros