sábado, 10 de dezembro de 2011

Fuga




"Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais faríamos floresta do deserto e diamantes de pedaços dvidro..."(Andrea Doria, Legião Urbana)
Fugiu com a ausência,
Abrigou-se nas lembranças,
Onde somente lá,
podemos ir além.
Talvez o acaso nos encontre e
o abraço seja longo,
Como a reprimir,
Sufocar desejos indevidos.
Ou talvez o receio mantenha-o em outro pólo,
A revirar o riso ecoado;
As mãos afoitas que se despiram da lucidez;
A ideologia errante dos que se entorpecem de vida.

Fugiu com o conto,
Com meu sentimento mais sincero,
Meu anseio em ver-te sempre abrigo.

Fugiu-me como fogem os loucos,
Os presidiários,
Os que nunca sentiram amores maiores.
Fugiu-me. E é certo que nunca volte.


Rayane Medeiros 











domingo, 4 de dezembro de 2011

Auto-Retrato


Pitty em seu videoclipe "Fracasso".






Rir-se,
Para encobrir soluços,
Esquecer frustrações,
Desiludir-se.

Rir-se,
Do cabelo desgrenhado
às pernas inquietas.

Ri afoita,
Como criança em tempo de festa;
Como velho que não tem mais pressa...

Rir-se,
Porque a vida é bela,
O sol sempre lhe espera,
E o riso foi feito pra ser gasto.

Ri pra exibir seus dentes –
Amarelos,
  Irregulares,
Seu melhor postal de natal.

Rir-se –
Histérica,
Estridente;
Pois é do riso que ela é feita.


Rayane Medeiros

sábado, 26 de novembro de 2011

Testemunha oculta

A noite foi testemunha do inevitável –
Do riso,
Do laço,
Da nostalgia.

Testemunha da embriaguez que envolvia-nos;
Do sussurro intercalado,
Dos olhares em demasia.

A noite foi testemunha das mãos que nos prendiam;
Da palavra que nos vicia,
Do pudor
Que nos oprimia.

Testemunha do receio;
Do medo,
Do tato –
      Em desespero.

A noite foi testemunha do sacrifício em conter-me,
Sufocar-me,
Reprimir desejos.


Rayane Medeiros

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Firmamento

Ao poeta Mário Gerson, que o tornou mais belo.



Por hoje obriguei-me a dizer-te não;
Abrir-me para o acaso,
Para os laços que me libertam –
                                       Libertinam-me!

Obriguei-me a não pensar em ti,
Não desejar-te
Ou sentir teu metal pressionar meus lábios –
                                                        Deliciosamente.

Obriguei-me a sair ao sol,
Sentir o vento resfriar a pele aquecida,
Desviar olhares indiscretos,
Sentir-me outra, que não sua.

Obriguei-me acalantar alvoroços,
Destruir firmamentos,
Adormecer os olhos fantasiosos,
Esquecer-te plenamente.

E deliciosamente aqui
Estar assim, solitária de mim.



Rayane Medeiros

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Do Encontro


E nada mais anseio,
Senão o dia em que
Meus olhos inquietos,
Cruzarão com os teus;
Meus braços insistentes,
Encontrarão seus pares e
Meus lábios eufóricos,
Contentar-se-hão,
Morrer em tua face.


Rayane Medeiros